Tímidos e introvertidos podem ser ótimos Líderes – Faculdade Victor Hugo
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MENUMENU

Tímidos e introvertidos podem ser ótimos Líderes

Um olhar descuidado para nossa realidade pode sinalizar algo diferente: os introvertidos não têm lugar em um mundo que valoriza os extrovertidos.

Leia Susan Cain, em O Poder dos Quietos. Você descobrirá uma excelente argumentação a favor da capacidade de Liderança dos tímidos e introvertidos, apesar de vivermos em um mundo que estimula a extroversão.

Jim Collins, em Good to Great – Feitas para Vencer, fala de algo parecido quando descreve o Líder Nível 5: humildade, força de vontade e determinação. Um indivíduo que na crise olha no espelho, e no sucesso olha pela janela. Seguramente, não é um “popstar” do mundo corporativo. Em geral, o grande público não os conhece, exatamente porque não costumam estar muito preocupados com suas biografias. Quase sempre deixam a ambição pessoal de lado em nome do projeto que lideram, com visões mais daqueles que autenticamente desejam construir um legado.

A Liderança Nível 5 é do tipo que prefere escutar diversos pontos de vista antes de tomar as decisões e valorizar a tarefa de cada membro da equipe. Reconhecem as pessoas com quem trabalham e evitam falar de si próprios, utilizando mais os exemplos das demais pessoas do time.

Há pontos de conexão entre este tipo de Liderança e os Líderes introvertidos, que dialogam menos com a fala e mais com o silêncio e a escuta. São ótimos ouvintes, sensatos, ponderam bem o cenário todo e não saem pelos corredores batendo no peito, dizendo “deixem comigo, eu resolvo”. São pessoas reflexivas, capazes de enxergar um quadro mais amplo e de ouvir com atenção seus interlocutores. Ao final, ao invés de tomarem a ação para si, empoderam sua equipe a agir, a seguir em frente com as soluções que vislumbraram juntos. Por este motivo, Líderes com este perfil são bons formadores de pessoas. Ouvir e estimular o time a agir são atitudes que aceleram o desenvolvimento daqueles ao seu redor.

Um olhar descuidado para nossa realidade pode sinalizar algo diferente: os introvertidos não têm lugar em um mundo que valoriza os extrovertidos. Parece até que, para liderar, é preciso ser um craque ao microfone, com uma retórica capaz de arrebatar multidões, dominar os diferentes canais de comunicação, além de ser ativo e engajador nas redes sociais. Ufa: é muita coisa para um cara só!

Comunicar-se será sempre importante, é claro. Mas os introvertidos podem fazê-lo sem se desviar da sua essência: falarão ao seu próprio estilo. É possível aprender a usar diferentes canais para se comunicar, algo que se torna uma necessidade real quando o indivíduo deixa de ser Líder de uma equipe para se tornar Líder de uma operação, de um negócio ou de uma organização inteira.

Convivo com Líderes tímidos e é muito prazeroso vê-los em ação. Quando sobem ao palco, parece que ficam 4 vezes mais tímidos. Ficam visivelmente desconfortados. Mas aí percebemos 3 coisas cativantes:

  1. não fingemeles não tentam ser quem não são, ficam vulneráveis, bochechas vermelhas de vergonha, pescoço roxo de timidez. O efeito de toda esta autenticidade e humanidade é positivo: ao perceber seu imenso incômodo de cumprir seu dever fazendo algo que lhes custa muito, quem os ouve chega a sentir o que naquele instante eles próprios sentem, ou seja, empatia e compaixão tornam-se efeitos colaterais bem vindos.
  2. se preparam maisem razão de não se sentirem confortáveis com o desafio de falar em público, preparam-se mais do que aqueles autoconfiantes com sua oratória. Escrevem, treinam e pedem feedback. O esforço de oferecer o seu melhor é percebido e, novamente, atrai e inspira os que os escutam.
  3. são breves e objetivos: pense no oposto do Fidel Castro. Estes caras nunca buscarão recorde de horas ao microfone. Sua timidez os obrigará a uma brevidade que agradará aos ouvidos (e aos traseiros, se os ouvintes estiverem sentados). De novo, a audiência receberá a mensagem certeira e breve de braços abertos e agradecida pela generosa economia de verbos, dados e fatos.

Estive, certa vez, em um evento de uma grande empresa do varejo. Seu presidente – claramente um cara tímido e introvertido – era obrigado a subir ao palco e puxar a platéia, como um verdadeiro animador de auditório. Tinha que fazê-lo, pois cumpria ali com um ritual simbólico da Cultura daquela organização. Mas era nítida sua atitude de simular um conforto artificial, aparentar que estava “curtindo” estar ali, gritando ao microfone e fazendo movimentos desconcertados com o corpo. Depois de poucos minutos, desceu do palco todo rouco. Para mim, não era propriamente um problema com a voz, mas com o quanto havia agredido a si mesmo encenando alguém que não era, e que detestava ser.

No final das contas, é muito bom estar com alguém que age como é, e não como acha que os outros acreditam que ele deva ser.

LEMBRE-SE: CONSCIÊNCIA TRANSFORMA A REALIDADE.

Autor: Rogério Chér

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