ENTREVISTA COM OS PROFESSORES E DEPOIMENTOS DE ALUNOS – Faculdade Victor Hugo
Faculdade Victor Hugo
MENUMENU

ENTREVISTA COM A PROFESSORA KARLA CRISTINA GIACOMIN     

     O segundo módulo do curso de Pós-Graduação em Geriatria e Gerontologia, promovido pela Faculdade Victor Hugo em São Lourenço, ocorreu nos dias 10, 11 e 12 de novembro, com a presença da Professora Karla Cristina Giacomin, que falou sobre os conceitos e fundamentos da Geriatria e Gerontologia. Karla Giacomin é Mestre em Saúde Pública pela UFMG, Especialista em Geriatria pela Universite de Strasbourg I, U.STRASBOURG I (França), Especialista em Geriatria e Gerontologia pela  Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e Associação Médica Brasileira, Especialista  (Residência Médica) pelo  IPSEMG, Graduada em Medicina pela UFMG, Coordenadora  de Atenção à Saúde do Idoso da Secretaria de Saúde de BH (PBH), médica geriatra da Aurus Medicina Geriátrica e do Hospital Mater Dei (BH), tem diversos artigos publicados em periódicos e capítulos de livros, dentre outros…

     Qual a maior demanda no setor de saúde quanto ao atendimento ao idoso?

     Acho que o mais importante é que o setor de saúde não está preparado para lidar com o envelhecimento da população. O setor sempre se preocupou com a mulher grávida e a criança, então a saúde infantil e a materna foram a tônica durante muitos anos. Agora, com o envelhecimento da população, os idosos começam a freqüentar m,ais o posto de Saúde e demandar por atenção, que o Centro de Saúde não estava preparado para lidar. A maior demanda é o cuidado para o idoso não ficar dependente, para que ele envelheça com autonomia, dono de suas ações, suas decisões, completamente capaz de lidar com sua vida pessoal e a vida em comunidade. Esta que é a meta do bom cuidado e atenção ao idoso. É diferente do que estamos acostumados, a lidar com doenças. A Geriatria traz a proposta não de tratar de doenças, mas tratar da capacidade do indivíduo de funcionar, para o seu auto-cuidado e a vida na comunidade.

     Em outros países, sabemos que o idoso continua produtivo por mais tempo, no Brasil isto está mudando?

     O difícil é que no Brasil, tivemos o inconveniente de ter entre os velhos de hoje, 30 a 40% que não estudaram, então temo um capital de velhos que tiveram muito pouco recurso e pouco acesso à educação, à saúde de qualidade, então eles envelheceram apesar da falta de cuidado. Nossa dívida histórica com eles é muito grande. Mas estamos presenciando agora a chegada dos novos velhos, muito mais ativos, mais interessados, mais inteligentes, no sentido de estar aproveitando as oportunidades. Você pode testemunhar isto no seu dia-a-dia, na sua família na sua casa. É bem diferente a imagem que você tem da sua mãe avó, que da imagem que você teve da sua avó avó. São vivências diferentes de um mesmo fenômeno. Eu acredito que com o passar do tempo, com o nosso envelhecimento, a gente vai estar ocupando maior espaço, fazendo melhor, saindo mais da toca, em comparação com os velhos de antes, que ficavam mais restritos ao domicílio, vestiam roupa de velho, pijama e chinelo, hoje o velho está saindo mais e espero que isto continue.

     Os profissionais de saúde estão preparados para atender o idoso só pelo aspecto físico, ou como um todo, englobando o lado social e emocional?

     O PSF é o primeiro programa de saúde que abrange a família. O idoso é intrinsecamente ligado à família. Então falar de idoso é falar de rede de apoio social. A nossa expectativa é de parar de falar que o idoso é difícil e complexo e começar a enxergar o idoso como fazendo parte da vida da gente e que a velhice é uma fase natural e que a medicina vai ter que lidar com ela, como todas as outras disciplinas do cuidado. Então, a tendência é que este idoso seja melhor atendido no Programa de Saúde da Família, em comparação com a forma tradicional do velho que ia ao Posto de Saúde. Agora a necessidade de formação vai da Enfermeira até o Vigia do Posto de Saúde. Qualquer um que esteja ali dentro precisa de formação, porque a nossa cultura nunca valorizou este velho. Só quatro Faculdades de Medicina ensinam a cuidar do idoso na graduação. Todas as outras, quando existe a disciplina de Geriatria ela é optativa, ou simplesmente não existe. Então, este velho que está chegando como uma novidade está presente há muito tempo, nós é que não tínhamos ainda alertado para as necessidades da sua demanda. Em termos de saúde pública, a atenção acontece no nível básico, dentro do Programa de Saúde da Família, vai para o hospital em último caso e deveria ser cuidado integralmente. Não é ficar velho aos 60 anos, é estar fazendo a sua prevenção e cuidado ao longo da vida, para envelhecer com saúde.

     Qual o diferencial do profissional que está capacitado para atender o idoso?

     A atenção integral, pois ele está de fato diante de uma pessoa, não uma coisa, então tem que perceber a sutileza que o envelhecimento traz, tem que perceber que cada um envelhece de uma maneira única. Não temos neste mundo dois velhos iguais, pois cada um viveu a vida de uma maneira, e se capacitando para lidar não só com a saúde física, mas com a saúde social e psicológica. Este entrançamento entre o físico, o psicológico e o social é que determina como a pessoa lida com a vida, como a pessoa vive as dificuldades da vida, pois dificuldades todos nós temos.

ENTREVISTA COM O PROFESSOR PAULO HENRIQUE RODRIGUES   

     O segundo módulo do curso de Pós-Graduação em PSF, promovido pela Faculdade Victor Hugo em São Lourenço, ocorreu nos dias 10, 11 e 12 de novembro, com a presença do Professor Paulo Henrique Rodrigues, que abordou o temaPolíticas de Saúde. Paulo Henrique Rodrigues é Doutor em Saúde Coletiva pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Mestre em Saúde Coletiva pela UERJ, Pós-Graduado em Desenvolvimento Internacional e Cooperação  pela  Universidade de Ottawa (Canadá),  Coordenador  de cursos de pós-graduação  em Gestão Estratégica de Hospitais e Gestão de Saúde Pública da Fundação Getúlio Vargas (RJ), Professor do Mestrado em Saúde da Família da UNESA (RJ), Assessor da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Crise da Saúde (RJ), com vasta experiência internacional como membro de missão de assistência técnica nesta área na Palestina, Angola, Líbano, inúmeros trabalhos publicados. Abaixo uma entrevista com o Professor:

     Qual o modelo de sistema de saúde entre os existentes no mundo que seria mais adequado ao Brasil?

     O Brasil optou em 1988 por um modelo que é usado em vários países desenvolvidos e até alguns países pobres, que é o que se chama de modelo público de acesso universal ou regime social democrata, que visa dar igualdade de atenção a todo mundo e o acesso gratuito à saúde. Ele é baseado na noção do Direito.  No ano 2000, na Europa, uma reunião importante da cúpula da União Européia discutiu política social e chegou-se à conclusão que o melhor modelo é o seguido pelos países escandinavos, que é exatamente o caminho que o Brasil está tentando seguir, da organização pelo poder público dos serviços de saúde. Este é o modelo que tem dado mais certo, não só na saúde, mas nas outras políticas sociais também, com melhores resultados para a sociedade. Claro, que quando o país optou pelo SUS não quer dizer que nós viramos a Suécia, mas a gente resolveu orientar nossa política pela linha de países como a Suécia, o Canadá, a Dinamarca, assim como fizeram Portugal, Espanha, Itália e Coréia do Sul, que fizeram mudanças nessa mesma direção.

     Mas o que está faltando no Brasil para chegar ao nível destes países escandinavos?

Falta muita coisa, nós somos mais pobres e maiores que todos estes países que estamos falando, somos um país continental, com mais de 200 milhões de habitantes. Falta principalmente uma gestão melhor. O grande problema é que o nosso sistema é mal gerido, tem boas idéias, boas propostas, mas uma gestão muito deficiente, com muito desperdício, disputas, competição, que faz com que a gente não aproveite bem os recursos. Cursos como este da Faculdade Victor Hugo, visam cobrir esta lacuna. Está havendo uma mudança muito grande na mentalidade do profissional de saúde, do gestor. Cada vez mais, as pessoas procuram novos cursos e soluções para tentar resolver os problemas que nós temos. Falta muito mesmo para chegarmos lá, mas o importante é que o Brasil está avançando no caminho certo e procurando mais conhecimento para dar a volta por cima. Não é ainda, como o Presidente Lula diz, um sistema quase perfeito, mas está caminhando para isso.

     Como está o Programa de Saúde da Família no Brasil?

     O PSF é seguramente um dos maiores sucessos do SUS. Há muitos problemas no PSF também, mas quando ele começou em 1994, tinha 200 equipes, no ano 2000 já tinha pulado para mais de 20 mil e agora já chegou a 30 mil equipes. Se cada equipe atende em média 3500 pessoas, você faz a conta e temos aí mais de 100 milhões de brasileiros já atendidos pelo PSF. O que ele traz, primeiro, é a atenção próxima de casa, o seu prontuário fica guardado com o profissional, a equipe é sempre a mesma, então ele já conhece o médico, o dentista, e estes profissionais também conhecem cada paciente, então eles acompanham as condições de saúde da pessoa e podem passar orientações. As pessoas têm facilidade de conseguir consultas, a maior parte dos problemas pode ser resolvida neste nível, da atenção primária, e este é o papel do PSF. O PSF também tem problemas, a maior parte dos profissionais não foi formada para isso e hoje eles estão buscando essa formação, mas o programa significou uma melhoria de qualidade gigantesca. Está contribuindo para diminuir a mortalidade infantil, que no Brasil vem diminuindo, aumentar a expectativa de vida e o controle de doenças como diabetes e hipertensão, que matam muito no Brasil. O PSF é, com certeza, um dos pontos mais fortes do SUS e que mais está dando certo. Outros países também seguem este modelo.

     Como está o cooperativismo no setor de saúde?

     O Brasil é o segundo maior mercado de saúde privada, o único país que tem mais que o Brasil é os Estados Unidos. Mas no mundo, a saúde privada não é tão grande e por isso não existe muito cooperativismo na saúde. No Brasil, a Unimed, ou o conjunto de Unimeds, porque cada lugar tem uma, é seguramente o maior plano de saúde do Brasil e que tem maior penetração territorial. Hoje, liderado principalmente pela Unimed Belo Horizonte, o sistema está passando por uma transformação muito interessante de gestão. O pessoal de Belo Horizonte percebeu que mais importante que só cuidar da pessoa depois que fica doente, é necessário ter um controle da situação desde o começo, trabalhar com prevenção e promoção da saúde. Então a Unimed de Belo Horizonte puxou isto e outras Unimeds do Brasil já estão seguindo esta linha, aqui na região inclusive, com a Unimed Circuito das Águas. Este processo é muito saudável neste tipo de serviço, pois muda a ótica da doença para a saúde e procura tratar a pessoa para que não fique doente, ou se ficar, que seja uma situação menos grave, pois ela se cuida e é bem acompanhada. É bom para o paciente e para o profissional da saúde também.

     Como a saúde pública trabalha a prevenção?

     A saúde pública também trabalha nesta linha e até começou antes que a privada. Nos Estados Unidos, a saúde privada começou isto já há algum tempo, com o “Manage Care”, agora no Brasil que isto está sendo introduzido. A Unimed está entre os planos que estão mais à frente neste sentido. É um caminho muito positivo para a população.

     Na saúde pública, desde 1978, numa conferência famosa da Organização Mundial de Saúde, fez-se da prevenção e promoção a principal estratégia de saúde. Então, se o sujeito fuma, ou bebe, ou se alimenta mal e não faz exercícios, tem que se promover hábitos saudáveis pra melhorar as condições de saúde da população. O PSF faz tanto a prevenção e promoção da saúde como trata a pessoa que está doente, dá vacinas, enfim, uma atenção integral. É isto que a Unimed está fazendo hoje e isto é um avanço muito grande. Entre os planos de saúde do Brasil, pode-se dizer que a Unimed está na vanguarda.

DEPOIMENTOS DE ALUNOS:

     Julita de Lima, Psicóloga – eu estou amando, a professora é tão segura e fala do idoso, fazendo você pensar e repensar em tudo o que já aprendeu e aplicou até hoje, pra ver que precisamos realmente ter mudanças de conduta, dentro da minha profissão. Eu vim buscar isto, esta parte de como você tratar o idoso, que eu já trato há muito tempo, mas eu não tinha o respaldo. Agora, esta mudança no tratamento vai depender de mim, do médico, dos educadores físicos que estão aqui, de cada um…

     Dr. Edson Nabak, Médico – Até agora foi excelente, pois este curso de Geriatria está trazendo uma outra visão pra nós médicos, do que é lidar com o idoso, que é bem diferente da nossa prática diária. Nós que atendemos bastante idosos, estamos agora um pouco mais capacitados a trabalhar com eles. Estamos aprendendo como envelhecer e como transmitir isto aos nossos clientes. A impressão que eu tenho é que o curso está trazendo coisas muito boas para nós, que não temos a oportunidade de ir pra fora fazer outros cursos, está sendo ótimo e bastante favorável. Existem várias profissões na turma e isso é muito bom, porque o pessoal está bem unido e fazendo uma interação muito grande entre os colegas.

     Adriana Maria da Silva, Nutricionista – Como profissional de saúde, a gente tem que ter uma noção do que é a saúde pública no Brasil e o que a gente vai encontrar num posto de PSF, o que está na Lei e que a gente tema na realidade. Eu trabalho atualmente na merenda escolar e em um hospital de Conceição do Rio Verde, e esta é uma possibilidade de crescimento profissional e dá pra gente jogar os conhecimentos do curso em outras áreas, como por exemplo num hospital.
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