A pedagogia dos sentimentos - Faculdade Victor Hugo
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A pedagogia dos sentimentos

Programa Semente utiliza a aprendizagem socioemocional para melhor performance acadêmica

A pedagogia dos sentimentos

Programa Semente utiliza a aprendizagem socioemocional para melhor performance acadêmica

Genuinamente brasileiro. Assim é o Programa Semente, que aborda sentimentos, pensamentos, comportamentos e relacionamentos. Trata-se de uma metodologia que ensina a entender a mente e a plantar um futuro melhor, preparando crianças e jovens para lidar com a aprendizagem socioemocional, por meio do domínio das emoções.

Os criadores do programa são o médico psiquiatra Celso Lopes de Souza e o linguista Eduardo Calbucci, ambos com grande experiência em educação.

“Comecei minha carreira há 20 anos como professor, logo no início da graduação em medicina. Ao decidir entrar na psiquiatria, seguindo com o trabalho de professor, pude observar de perto o quanto os aspectos emocionais tinham impacto na vida dos estudantes e das pessoas”, comenta Celso.

Quando ele decidiu pesquisar a respeito da aprendizagem socioemocional, percebeu que já havia muitas abordagens sobre o tema e que era um momento importante para discutir o assunto.

“O professor Calbucci e eu juntamos nossa experiência na área da educação e, após muitos estudos, decidimos estruturar o programa, buscando a tangibilidade nas escolas. Para nós, o convencimento de que as habilidades não cognitivas, como regular a emoção, o autoconhecimento, a empatia, a capacidade de tomar decisões responsáveis e as habilidades sociais, têm um desfecho muito grande na vida de qualquer pessoa, e nós podemos fazer algo durante o processo de formação escolar. O mundo já acordou para isso”, defende Celso.

O Programa Semente foi lançado em outubro de 2016 e hoje atinge mais de 35 mil alunos em todos os Estados brasileiros, atendendo estudantes do ensino fundamental I, fundamental II e ensino médio. Em Minas Gerais ele foi implantado entre 2017 e 2018, em Cambuí e Poços de Caldas, e conta com cerca de 800 alunos. Há previsão de implantação do programa em duas redes de escolas de Belo Horizonte no próximo ano.

“Nós nos sentimos muito gratos por termos conseguido alcançar esse número de alunos. A renovação de contrato nessas escolas mostra que estamos indo na direção correta e que elas estão percebendo a importância da aprendizagem socioemocional”, avalia Celso.

A proposta da metodologia é desenvolver nos alunos habilidades socioemocionais, atuando nas competências que consistem no exercício dos cinco domínios: autoconhecimento, autocontrole, empatia, decisões responsáveis e habilidades sociais.

“Uma grande meta-análise com mais de 270 mil alunos mostrou dois impactos importantes: a diminuição brutal da incidência de transtornos mentais num período de 30 anos naqueles estudantes que participaram de programas de aprendizagem socioemocional e o aumento de notas nas disciplinas clássicas na ordem de 11%, o que é um percentual expressivo. Para exemplificar, uma escola que esteja na 350ª posição no ranking nacional de educação, caso os alunos tenham pontuação 630 no Enem, ao aumentar 11% na nota, essa escola chega entre as 20 melhores do Brasil. Além de ter outros ganhos, como maior índice de formação, melhores relacionamentos e, consequentemente, menor incidência do uso de drogas psicoativas”, analisa o educador.

Para o linguista Eduardo Calbucci, o desenvolvimento das habilidades sociemocionais é importante, pois “as crianças e os jovens aprendem a debater com respeito, a ter autocontrole, a compreender a diversidade, a traçar objetivos, a cumprir metas, a trabalhar em equipe, da mesma forma que elas aprendem conteúdos de química, sociologia, geometria, filosofia, física, artes ou redação. Saber reconhecer emoções, relacionando-as com os pensamentos que as geram, e entendendo como tudo isso influencia o comportamento, permite que cada um compreenda melhor as próprias limitações e conheça suas fortalezas, aumentando a confiança, o otimismo e a autoestima”, comenta.

Reflexões sobre temas atuais

Em Minas Gerais, o Programa Semente teve o projeto-piloto implantado nos sextos anos dos colégios Pelicano e Sete de Setembro, em Poços de Caldas, no ano passado. Neste ano, o programa entrou em ação do quarto ao nono ano do ensino fundamental e envolve aproximadamente 600 alunos entre 9 e 14 anos, sendo 450 do Pelicano e 155 do Sete de Setembro, ambos pertencentes ao Instituto Educacional São João da Escócia, fundado há 104 anos.

“O que me encantou nessa metodologia é que ela veio ao encontro do que acreditávamos e da formação humanista, diretriz da instituição. Ela está focada no autoconhecimento, na empatia e na capacidade de decisões mais inteligentes e assertivas”, analisa Sônia Maria Soares, diretora dos colégios Pelicano e Sete de Setembro.

Segundo ela, o programa veio em um momento em que a direção sentia necessidade de trabalhar com as habilidades socioemocionais. “Percebemos uma maneira de sistematizar o conteúdo na sala de aula, uma vez por semana ou a cada 15 dias, quando os alunos têm a oportunidade de discutir determinados assuntos com seriedade e monitoria dos professores. Eles também levam para casa alguns vídeos a fim de envolver toda a família. Entendemos que dessa forma criamos uma oportunidade de os pais se sentarem com seus filhos e discutirem determinados temas de forma mais reflexiva. Sempre acreditamos nesses valores, mas isso acontecia em situações pontuais, e não de forma frequente. O programa se desdobra em reflexões no cotidiano dos alunos quando aparecem situações de conflito, críticas e até questões políticas que estão na mídia”, comenta Sônia.

Cinco domínios

Autoconhecimento – Saber reconhecer emoções, relacionando-as com os pensamentos que as geram e entendendo como tudo isso influencia o comportamento, permitindo que cada um entenda melhor as próprias limitações.

Autocontrole – Emoções e pensamentos podem ser regulados, controlados, contidos, dominados, compreendidos. Isso faz com que as atitudes sejam menos impulsivas e mais adequadas para atingir objetivos predeterminados.

Empatia – Assumir a perspectiva do outro, sobretudo quando se está diante de valores diferentes dos seus. É fundamental para viver em um mundo cada vez mais marcado pela diversidade cultural.

Decisões responsáveis – Escolhas construtivas, coerentes com suas crenças e comprometidas com padrões éticos são fundamentais. É preciso conhecer as normas sociais, avaliar de maneira realista as consequências de suas ações e ter constante preocupação com a segurança.

Habilidades sociais – Para estabelecer e manter relacionamentos saudáveis, é preciso saber falar e ouvir. Comunicação clara, escuta ativa, cooperação, capacidade de resistir a pressão, de negociar conflitos, de buscar e oferecer ajuda, tudo isso é essencial na vida em sociedade.

Benefícios

Melhora do rendimento escolar e acadêmico.

Redução da ocorrência de bullying no ambiente escolar e social.

Diminuição da incidência de transtornos mentais.

Diminuição de problemas interdisciplinares.

Redução do uso de álcool.

 

Fonte: O Tempo

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